O hiperrealismo retoma a imagem do cotidiano do homem moderno na arte contemporânea, diferente da abordagem pop que faz um panoranama a partir do homem como consumidor de objetos. Podemos considerar, a grosso modo, que o hiperrealismo está para a pintura de gênero assim como a pop arte está para a natureza morta. Existe uma grande aproximação entre os temas pelo clima urbano que ambas apresentam. Alguns artistas são considerados de transição entre os movimentos como David Hockney e Malcolm Morley.
A pintura é um registro das imagens que circulam pelo mundo. Todas as formas de representação da imagem existentes na contemporaneidade convergem para o quadro, agora transposto como objeto de representação do real. Uma mancha de tinta abstrata pode ser uma andorinha mas apenas pode ser pois não é. Já uma andorinha pintada é um conjunto de manchas de tintas abstratas que juntas formam uma complexa rede de manchas, cores, tons que formam a imagem da andorinha. Uma imagem na pintura é formada por uma complexa rede de manchas abstratas agrupadas por camadas de cores que desembocam na representação do real. O real é um conjunto de representações abstratas que formam a imagem que chega ao cérebro como realidade.
A realidade nada mais é que uma construção. Todo conceitualismo dos anos 60 preparou textos, linguagens, novas representações que semearam de imagens o universo da pintura. A fotografia fornece os temas e a pintura mostra os meios. Não creio que fotografia dê a ultima palavra sobre a realidade. Observa-se nas pinturas um certo estranhamento não fotográfico, a imagem é construída de acorda com as técnicas de pinturas acadêmicas do século XIX atualizada pelo tema urbano do século XX, a luz é pintura e não aglomerados de grãos de prata.
A técnica da pintura chegou a um estágio no qual todas as técnicas são possíveis quando se trata de representação do real. Segundo David Hockney, umas das coisas mais fascinantes da pintura é o contraste entre as diversas formas convencionais de representação que um artista pode usar. O homem e o outro. A pintura e o mundo das imagens. Como os pixels, a pintura é um aglomerado de grãos de cor, mas vai mais além pois podemos falar de matéria plástica e química em sua composição como nos retratos de Chuck Close.
1977 , Chuck Close, A portrait of the composer Philip Glass, PhilWatercolor
No caso de Close a máquina fotográfica serve para capturar a imagem dos rostos e o artista transfere essa imagem para tela. Podemos notar como é mantido as deformações óticas nas pinturas mantendo assim a realidade fotográfica da imagem-retrato capturada anteriormente pela câmera. A perda de profundidade exercida pela lente e pela aproximação no estranho enquadramento 3 x 4 é mantido agora como técnica de pintura trazendo essa realidade da fotografia para a pintura à óleo causando uma certo incômodo pois a diferença na representação exercida por essa transposição da fotografia para a pintura, a perda de algumas características da fotografia exercida pela técnica da pintura faz com que o objeto final ganhe ainda mais características de obra de arte.





1 comentários:
adorei a materia por ser eu mais um fa desta arte maravilhosa e hoje venho criando trabalhos neste mesmo nivel , obrigado por colocar mais um tema de primeiricima gualidade. abraco fernando
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